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“Com a explosão da internet, ‘fazer um viral’ tornou-se o sonho dos marketers. Gastar uns tostões, ser visto por milhões. Quem não quer? “

Dicas de marketing viral dicas para criar um viralO problema é que fazer que um conteúdo se torne viral não é assim tão simples. Se ao menos houvesse uma receita para viralizar.

Pois Jayme Kopke, diretor-geral da agência Hamlet, de Portugal, achou uma. E onde menos esperava: no clássico Guerra e Paz, o famoso romance escrito por Leon Tolstói e publicado entre 1865 e 1869, no Russkii Vestnik, um periódico da época.

O enredo deste clássico da literatura russa se passa durante a campanha de Napoleão na Áustria, e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, compreendendo o período de 1805 a 1820.

Apesar de escrito há quase 150 anos, a receita que o Jayme descobriu no texto do escritor russo, continua válida e contém 10 dicas para criar um viral, que ele mesmo traduziu e compartilha conosco.

O exercício criado por Jayme foi a partir deste parágrafo do capítulo X que conta quando o príncipe André se hospeda na casa do diplomata russo Bilibine:

Bilibine gostava tanto da conversa como do trabalho, desde que ela fosse espirituosa e distinta. Quando em sociedade (1), estava sempre à espreita do momento (2) de dizer fosse o que fosse digno de ser notado e só com essa condição consentia embrenhar-se numa conversa (3). A sua conversação era toda salpicada (4) de frases originais (5) e espirituosas (6), e de interesse geral (7). Preparava as suas frases no silêncio do gabinete expressamente para que elas pudessem vir a ser espalhadas (8), para que as mais significativas pessoas da sociedade pudessem lembrar-se delas facilmente e repeti-las de salão em salão (9) . E, efetivamente, os ditos de espírito de Bilibine espalhavam-se nos salões de Viena, e por vezes tinham influência nos assuntos considerados sérios (10)

E agora as dicas para um bom viral:

1. Não seja um eremita.
Um viral precisa de uma “sociedade”. Num site sem visitas, os seus “ditos” – ou vídeos – não vão infetar ninguém. Hoje os salões são facebooks, twitters, youtubes, a sua lista de email… Frequente-os. Não há notícia de epidemia causada por um vírus tímido.

2. Esteja atento.
Para entrar na conversa com “à propos” – como diriam os russos francófonos de Tolstoi – é preciso estar à espreita. Ande por ali, participe, acompanhe os assuntos. Ou vai tropeçar no ponto 7.

3. Não brinque aos vírus.
Um profissional do contágio tem que ser mesmo isso: profissional. Influenciar é um trabalhoconstante, intencional, planejado e exigente.

4. Seja consistente.
Já reparou que, no Governo Sombra, mal o Ricardo Araújo Pereira abre a boca o Carlos Vaz Marques desata a rir – mesmo que o outro ainda não tenha dito nada? Com o Bilibine devia ser igual. Mas para isso foi preciso que ele – como o RAP – “salpicasse” a sua conversa de coisas inteligentes ou engraçadas. Quando um vírus ganha fama, os hospedeiros ficam assanhados para o espalhar pelo mundo.

5. Seja original.
Mais fácil falar do que fazer, mas se precisar há profissionais para dar uma ajuda. Não é para isso que existem agências de marketing?

6. Faça rir.
Mais uma vez, fácil de dizer. Mas se é essa a vocação da sua marca (e de quem cria a sua comunicação), use-a à grande.

7. Apanhe boleias.
Conheça o seu público e escolha temas que já andam nas conversas. Por exemplo, se neste artigo eu saísse falando em Tolstoi não ia ter muita audiência. Mas como conheço o “interesse geral” dos internautas hoje, não falo de Guerra e Paz mas de como fazer um viral. Captei ou não a sua atenção?

8. Transpire.
Os conteúdos mais partilhados muitas vezes parecem vir de uma inspiração espontânea. Ilusão. Um viral raramente é um bilhete premiado – a internet que de repente faz explodir a nossa mensagem. Exige planejamento, trabalho, “o silêncio de um gabinete”.

9. Encontre os seus hubs.
Bilibine mirava nas “pessoas significativas” – as que contagiam o ambiente à volta. Conhece as suas? Líderes de opinião, comunidades afins com a sua mensagem mas capazes de a pôr a circular noutras esferas: injete aí os seus vírus.

10. Reclame o seu prêmio.
Influenciar é um poder, daí o estatuto de celebridade ser tão procurado. Sejam globais ou de nicho, a aura das celebridades vai além do seu pelouro estrito. Por isso futebolistas são vozes na política, atores opinam sobre a felicidade, até gurus em comandos eletrônicos ganham comando sobre coisas mais importantes. Torne-se viral – e colha os frutos”.

Jayme Kopke, diretor-geral da Hamlet

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